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HealthTechs - #FisherInterview Guilherme Rabello - Gerente de Inovação InovaInCor



Guilherme Machado Rabello, engenheiro pela Escola Politécnica da USP, com mais de 25 anos de experiência no setor de telecomunicações. Desde 2011 atua na área de Saúde no desenvolvimento de soluções em Telemedicina, Inovação Médica de produtos e processos. • Gerente de Inovação do InovaInCor -Instituto do Coração-InCor e Fundação Zerbini e membro do Comitê Executivo de Inovação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP(2017-2020)


• Na sua opinião, quais os maiores desafios do setor de saúde que healthtechs deveriam endereçar/focar? GR – A área de Saúde possui desafios enormes e variados, havendo oportunidades em todos os campos – desde o agendamento de consultas no SUS até os modelos preditivos para doenças crônicas. Porém, as melhores oportunidades não estão nos desafios mais complexos, e sim naqueles que resolvem problemas simples dos usuários, que aumentam positivamente a experiência do paciente no seu cuidado, por exemplo.

• Já é possível perceber o impacto de tecnologias novas como IA, Blockchain, AR/VR, IoT no setor de saúde? Qual delas terá mais impacto no futuro da medicina? GR – Sim, todas essas tecnologias já estão sendo usadas, em diferentes níveis, e irão impactar positivamente a saúde e o futuro da medicina. Veja o caso da AR/VR, que aprimorará os treinamentos de novos profissionais e requalificação dos já experientes, mas ampliando a capacidade de se avaliar o aprendizado em ambiente realístico. Vimos isso na indústria aeronáutica, e sabemos o quanto agrega segurança ao processo. Em medida igual, o IoT será um componente essencial na implementação de redes inteligentes de gestão e logística de insumos médicos, no monitoramento remoto de pacientes, apenas para citar alguns usos. E finalmente a IA está chegando com força para melhorarmos a analise de dados crescente da saúde, provendo melhores modelos preditivos que possam auxiliar na gestão de pacientes e para a Medicina baseada em Desfecho (Outcome Based Healthcare).

• Como essas tecnologias vão impactar o papel do médico? GR – Elas irão agregar mais recursos analíticos para os médicos tomarem decisões mais assertivas, tanto na prevenção como na intervenção assistencial. Elas não são substitutivas, são amplificação da capacidade dos médicos em atuar. Mas os que não conseguirem se ajustar a essa nova fase digital irão em breve perder oportunidades de trabalho e clientes também.


• Quais serão as principais diferenças para os pacientes daqui 20 anos? GR – Daqui 20 anos a nossa pirâmide social será outra, com uma parcela aumentada de idosos, que terão certamente mais doenças crônicas naturais de uma vida mais longa. Com isso, eles precisarão de melhor estrutura de telemonitoramento de sua saúde, com um avanço nos modelos assistenciais de desospitalização e mais Homecare. Iremos ter modelos preditivos e preventivos mais acurados com o uso da IA. A segurança de transação e registro de dados dos pacientes num mundo 100% digital será garantido por plataformas baseadas em Blockchain e outras ferramentas de criptografia biométricas. Vários wearables e implantables (a nova geração não será de itens vestíveis, mas implantáveis em nós) será parte do cotidiano, quase uma cena tirada dos filmes futuristas de Hollywood.

• Ouvimos há muito tempo que o setor de saúde possui um potencial gigantesco de inovação e que as healthtechs são foco de investimento de muitos fundos. Mas no Brasil, por enquanto, a bola está com as Fintechs. Quando vai ser a vez das Healthtechs? GR – Em uns 2 a 3 anos, as Healthtechs ultrapassarão o valor investido nelas e de mercado quando comparado ao das Fintechs! Por um motivo simples, TODAS as pessoas precisam em algum momento de cuidados médicos e de saúde. Então, o momento para se olhar as oportunidades é agora. Mas para isso, os investidores precisarão de bons advisors que realmente entendam do mercado de saúde. Saúde não é varejo, não é banco, não é agro! Parece óbvio isso, mas não é. Tem gente investindo em projetos de Healthtechs como se fossem uma fintech de Saúde, e por isso vão perder dinheiro, muito dinheiro!

• Sabemos que as grandes empresas possuem um investimento relevante em tecnologia e P&D, ao passo que as startups recebem cada vez mais investimentos. Na sua opinião, as principais inovações do setor devem vir dos incumbentes ou dos insurgentes? GR – As principais inovações virão dos insurgentes, mas que só serão relevantes quando forem absorvidos pelos incumbentes. É questão de rapidez e ousadia no começo, combinada com força financeira e penetração de mercado no momento seguinte.

• No Brasil, na sua opinião, qual a principal inovação no setor de saúde nos últimos anos? Alguma empresa ou startup que se destaque? GR – Creio que temos várias inovações boas na saúde neste últimos anos, algumas aplicadas na área de telemedicina, outras para melhora na gestão de processos hospitalares e também na área de educação profissional. Um case de startup que acompanhei desde o inicio e no qual pude até auxiliar como advisor da empreendedora, é da TechBalance (www.techbalance.com.br). Essa empresa surgiu de um sonho de uma fisioterapeuta, a Fabiana Almeida, que queria reduzir os riscos de quedas dos idosos e pacientes com comprometimento motor. Hoje, já está com sua solução validada por grandes hospitais e com pesquisa cientiíica baseada em seu aplicativo em andamento em um centro de saúde de referencia nacional como o Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da USP. Assim como ela, há outras Startups muito interessantes como a Cuco Health, a MedRoom, Portal Telemedicina, TNH Health, Robô Laura, apenas para citar algumas.

• Qual o seu conselho para empreendedores de HealthTechs? GR – Antes de sair inovando com foco na saúde, converse com pessoas que atuam no meio (como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, por exemplo) e veja quais problemas do dia-a-dia esse profissionais enfrentam e os pacientes também. Vão descobrir que as inovações mais úteis serão as mais simples para problemas corriqueiros do cotidiano!


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