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Libra: a nova criptomoeda do Facebook

O Facebook está embarcando em um novo desafio exponencial, se propondo a criar um meio de pagamento digital e global. Em abril, a maior empresa de redes sociais do mundo anunciou um whitepaper da Libra, que é uma stablecoin, ou seja, moeda digital lastreada à uma cesta das principais moedas globais, como dólar ou euro, e que por isso busca manter um perfil de preços estável, especialmente se comparado com outras criptomoedas.


A novidade, que pretende ser lançada em 2020, permitirá aos usuários fazer transferências via aplicativos, como whatsapp ou messenger, evitando as altas taxas de banco ou de cartão de crédito que dificultam e reduzem o número de operações por mais pessoas. Além disso reduzirá muito o custo da remessa de recursos e pagamentos entre pessoas em países diferentes. Sua utilização também pode ser feita para pagamento de contas e boletos, além de estar disponível em diferentes plataformas, como PayPal e Mercado Pago. Se adotada, a Libra será o pontapé inicial para uma nova era do Facebook: a de meios de pagamento.


O objetivo da criptomoeda é ser uma espécie de dinheiro universal, para levar aos desbancarizados (1,7 bilhões no mundo) uma opção de inserção na economia. Com mais de 2,3 bilhões de usuários da rede social, a Libra irá expor milhões de pessoas à tecnologia blockchain, aumentando também as chances de novos entrantes no mercado e possibilitando uma mudança na mentalidade das pessoas, promovendo novas práticas e progresso econômico.


Mas, é claro que o Facebook tem um objetivo voltado para seus negócios também. Com a disseminação da moeda, pequenos vendedores poderão aumentar as vendas e consequentemente anunciar mais produtos em sua plataforma.


O funcionamento


Para início de conversa o Facebook não está sozinho nessa! Todo o funcionamento da Libra será comandado e gerido pela Libra Association, uma fundação internacional autônoma localizada em Genebra, na qual o Facebook é um dos membros fundadores.


A Libra Association é formada por 27 founders, que iniciaram sua participação no projeto com US$10 milhões cada para criar um fundo de reserva da Libra. O grupo reúne grandes players de tecnologia, como Uber, Spotfy e eBay; empresas do setor financeiro, como a Visa, Paypal e Mastercard; além de fundos de VC do Vale do Silício, como Thrive Capital e Ribbit Capital. Todos os founders terão poderes iguais na Libra.


Para realizar as operações com a moeda e validar os dados de transações dos usuários, o Facebook criou sua subsidiária Calibra. Como tentativa de garantir a privacidade de seus clientes, a empresa anunciou que não compartilhará nenhuma informação pessoal dessas pessoas, nem com a parte de anúncios de sua matriz.

A Calibra vai funcionar como uma espécie de carteira virtual, permitindo aos usuários realizar suas transações. Assim como a Libra, a Calibra também estará sujeita à Libra Association.


Juntos, eles terão os mesmos poderes de decisão que o Facebook, e pretendem chegar a 100 membros até o lançamento da Libra. Esse consórcio busca garantir a pluralidade de membros mantenedores da rede, que apesar de ser um blockchain permissionado teria um número suficiente de validadores para que nenhuma parte tenha um poder absoluto sobre os registros.


Análises e Críticas


Um dos maiores desafios do Facebook como companhia é redimir sua fama com o vazamento e má utilização de dados de seus usuários. Com baixa confiança por parte dos reguladores e governos do mundo todo, a empresa está na missão de trazer entidades empresariais e governamentais para seu lado da moeda.


Instituições financeiras enxergam uma certa ameaça ao sistema tradicional com a chegada da criptomoeda do Facebook, temendo a um modelo parecido com o WeChat na China. O novo modelo proposto pela gigante de tecnologia poderia transferir a Guerra das maquininhas para a guerra dos meios de pagamento digital, criando um choque com o modelo atual de transações financeiras e papel moeda em vigor. Mas isso acreditamos que será só uma questão de tempo para acontecer, e não é só a turma do Facebook que entrará neste jogo, não devemos esquecer que Apple, Google e Amazon não ficarão parados assistindo.


Apesar desta suposta centralização, a iniciativa é vista com bons olhos por especialistas brasileiros, que acreditam em uma certa “democratização” do acesso e uso das criptomoedas em geral, apoiada por grandes nomes do mercado de pagamentos, como Visa e Mastercard. O ponto chave da discussão será em torno das decisões regulatórias a partir do seu lançamento, mas aí só nos resta esperar para ver.

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