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  • Julia Dal'Ava

Todo mundo quer criar uma fintech

Entenda o porque deste movimento pelo olhar de especialistas de Banking as a Service, Henrique Nadal, Head de Partner Management da Dock e Carlos Gamboa, co-founder da Fisher Venture Builder



Já parou para pensar em quantas opções de serviços e instituições financeiras existem atualmente? Há alguns anos seria possível citar os mais conhecidos, mas hoje certamente se fizéssemos uma lista esqueceríamos ou não conheceríamos algumas dezenas delas.


Esse movimento de popularização das instituições financeiras é recente e muito se deu depois de 2013 quando o Banco Central passou a estimular o mercado, facilitando a regulação para a implantação de instituições financeiras no Brasil. Antes de aprofundarmos a questão dos novos entrantes no setor financeiro, é importante deixar claro a distinção entre duas definições:


- Instituição financeira

É uma intermediadora entre o cliente e algum tipo de serviço do mercado financeiro. Sendo representante dessas categorias: corretoras de valores, bancos de investimentos e bancos múltiplos. Recentemente, o Banco Central passou a permitir a inclusão das fintechs no rol das instituições financeiras mediante aprovação. De acordo com essa legislação, as fintechs podem atuar em duas vertentes: como sociedade de crédito direto (SCD) ou sociedade de empréstimos entre pessoas (SEP).


- Instituição de pagamento

Oferecem serviços de compra, venda e movimentação de recursos voltados para pagamentos. Porém, diferente das instituições financeiras e bancárias, não oferecem empréstimos ou financiamentos aos seus clientes. Sendo assim, as IPs possibilitam a realização de pagamentos sem que o usuário tenha um relacionamento com instituições bancárias ou financeiras.


Dito isso, por que está havendo o movimento de tantas empresas passarem a oferecer também produtos financeiros?


A partir do momento que as empresas notaram que seu braço financeiro poderia deixar de ser um gerador de custo para se tornar um gerador de receita, a dinâmica de posicionamento mudou.


Com a facilitação por parte do BC para implementar uma instituição de pagamento dentro de um negócio, as empresas entenderam que poderiam gerar mais do que receita, mas oferecer novos serviços para seus clientes e assim mantê-los ainda mais engajados e perto de seus negócios.


Henrique Nadal, Head de Partner Management da Dock, startup de tecnologia para serviços financeiros e pioneira em Banking as a Service no Brasil, explica que o país vem passando por um momento de bancarização e que ainda há espaço para as empresas se posicionarem em um lugar relevante na vida do consumidor. " Tem um super espaço ainda para se ocupar na cabeça e no coração das pessoas quando falamos do segmento financeiro, afinal estamos diante de uma coisa que todo mundo precisa", argumenta o executivo.


Segundo Carlos Gamboa, co-fundador da Fisher Venture Builder, "Os avanços regulatórios e da tecnologia diminuíram drasticamente os custos de se criar um produto ou serviço financeiro. Toda empresa com uma base de clientes tem uma oportunidade potencial para criar sua fintech ou produto financeiro, e pode fazer isso agregando soluções de BaaS (Bank as a Service) ou CaaS (Credit as a Service), por exemplo".


Não entre na onda se não gerar valor

Apesar de parecer tentador, é necessário separar o que é hype de oportunidades reais e que façam sentido, tanto do ponto de vista financeiro como de experiência do cliente. A facilidade somada à pressão atual para inovar pode levar a decisões erradas e mal fundamentadas.


"Hoje nós temos tantas contas digitais iguais que de certa forma viram commodity, mas o que de fato faz a diferença? O olhar para um público específico que não tem experiência, produtos, nem apelo próprio. Aí com certeza tem oportunidade de negócio" afirma Nadal.


" O ponto aqui é que as companhias são obrigadas a seguir com sua proposta de valor, sem deixar subir à cabeça que se tornou uma grande corporação. Não dá mais para ficar colocando tarifas ou taxas abusivas porque hoje tem tantas opções no mercado que o consumidor não vai pensar duas vezes em trocar de empresa" reforça o executivo.


Segundo Gamboa, da Fisher, é necessário entender bem os porquês da criação de um novo negócio ou produto e fazer um estudo de validação, com pesquisa de usuários, análise competitiva, necessidade de equipe, potencial de mercado, entre outros fatores.


O foco no cliente deve estar sempre em primeiro lugar, afinal, trocar de banco ou conta nunca foi tão fácil e nunca existiram tantas opções no mercado.


Não esqueça da segurança e das obrigações regulatórias


Com este mercado em plena evolução, questões de segurança devem ser sempre levadas em consideração. Para que uma empresa inicie no setor financeiro é necessário uma série de cuidados e licenças específicas, além de toda a tecnologia por trás.


Henrique argumenta: "Faz diferença eu abrir uma empresa e querer atuar em todas as pontas: ser instituição de pagamento, ser emissor de cartão perante uma bandeira, criar uma própria tecnologia, querer fazer relacionamento com o cliente... Mas tudo isso acaba sendo muito custoso por ser um novo entrante e ainda abre a possibilidade de não se fazer tudo isso muito bem. Então começa a fazer sentido procurar empresas que oferecem opções de tecnologia, que arquem com exigências regulatórias e também com a possibilidade de se emitir cartões com empresas muito consolidadas".


M&A também é uma opção


Grandes empresas e conglomerados já notaram esse movimento e começaram a atacar esse mercado, muitas vezes através de aquisições, como por exemplo a Magalu que já reforçou seu grupo com mais de uma dezena de companhias, criando um ecossistema completo de soluções para seus clientes, tanto na ponta compradora quanto vendedora. Essas empresas “trazem pra dentro” serviços que suas bases já usam e ao mesmo tempo tornam a experiência como um todo mais fluída.


Ao mesmo tempo que vemos esse movimento de fintechização e o surgimento de novas soluções, já é possível observar uma tendência de consolidação do mercado ao redor de ecossistemas bem definidos, sejam grandes empresas ou fintechs. Mas no fim, vai vencer quem gerar mais valor pro cliente.


*artigo escrito para snaq.co


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